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Reposição hormonal em pacientes com tumores ginecológicos

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Esta é uma informação muito importante. A estatística aponta que cerca de 40% dos diagnóstico de tumores ginecológicos acontece na pré ou perimenopausa. “São mulheres jovens que passam pelo tratamento oncológico seja com cirurgia, radioterapia ou quimioterapia e, por conta do tratamento, elas podem vir a ter uma menopausa induzida e com sintomas mais severos quando comparado à menopausa natural”, relata Dra. Marcela Jorge Uchoa, oncologista clínica.

O resultado é uma piora na qualidade de vida e também perda óssea prematura, disfunção sexual e urinária e aumento do risco de doenças cardiovasculares. Desta forma, a reposição hormonal deve ser considerada, minimizando os possíveis efeitos da menopausa. “Para isso, é importante buscar auxílio do especialista, pois há casos em que a reposição pode ser feita de forma segura e, em outros, ela é contraindicada por elevar as chances do câncer recidivar. Pela falta de conhecimento, muitas vezes a reposição hormonal não é feita, trazendo prejuízos que poderiam ser minimizados”, explica.

Recentemente, a Sociedade Americana de Oncoginecologia fez algumas recomendações para os diferentes tipos de câncer ginecológico baseadas em estudos que dão um norte de como atuar com cada paciente.

No caso de pacientes com tumores de endométrio (útero) de baixo risco inicial, Dra. Marcela aponta que é seguro fazer a reposição hormonal. “As pesquisas mostram que não há aumento no risco de recidiva comparado às pacientes que não fizeram reposição. Já quando temos o diagnóstico de tumores de útero avançado, não se recomenda a reposição. Inclusive, em muitos deles, por se beneficiarem dos hormônios femininos, usamos como tratamento a terapia antiestrogênica”, compara.

As mulheres que passaram por tratamento de tumores de ovário também podem fazer a reposição hormonal. “Ela é segura na grande maioria dos tipos de câncer de ovário, sem aumento de recidiva da doença. Não há associação entre o uso de estrogênio e a elevação na mortalidade”, informa a especialista.

Dra. Marcela chama a atenção para os tumores de colo de útero, principalmente porque boa parte deles é diagnosticada em mulheres em idade fértil. “Pensar em uma menopausa precoce não é o melhor caminho para as mulheres mais jovens, muitas ainda desejam ter filhos. A reposição hormonal para quem teve câncer de colo de útero é um tratamento seguro e traz benefícios para as pacientes”, assegura.  

Para finalizar, ela fala das pacientes que são portadoras de mutações que elevam o risco de desenvolver câncer de mama e ovários (genes BRCA1 e BRCA 2). “Para estas, há a recomendação da cirurgia profilática de retirada dos ovários e, quando não há história prévia de câncer de mama pessoal, a literatura mostra que a reposição hormonal por um tempo curto não aumenta o risco de câncer de mama, sendo, então, segura. Nesses casos, a anamnese precisa ser bem feita e a reposição tem que ser avaliada caso a caso. Para as pacientes que mantiverem o útero (só tiraram as trombas e ovários), o uso de progestágeno com estrógeno deve ser acompanhado pelo especialista. Se o útero for retirado, a reposição hormonal pode ser feita com segurança, muitas vezes com medicações isoladas”, conclui.

 

 

 

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